
Nós não escolhemos plantar índigo, mas a planta nos escolheu
O trabalho feito em casa manualmente sempre esteve presente em nossas vidas. Na verdade, em um território da necessidade afinal somos oriundos de famílias sem grandes posses e então construir, reformar, reparar, reaproveitar, tricotar, costurar e tingir são verbos que movimentaram toda a nossa infância.
Somos um casal que ama os bichos e as plantas. Em 2016, depois que a Kiri volta do Japão de seu aprendizado com índigo, decidimos então nos mudar para o campo para cultivar, processar e ensinar. Somos as pessoas responsáveis por trazer o índigo japonês Persicaria tinctoria para a América Latina, aclimatá-la e registrá-la.
Kiri Miyazaki
Sou uma pessoa autista formada em Design de Moda pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, onde desenvolvi trabalho científico sobre a relação afetiva que a troca de roupas carrega. No ano de 2016, fui aluna de índigo na cidade de Tokushima - Japão, o berço do tingimento natural azul aizome. Sendo a pessoa responsável por trazer a espécie
da planta índigo japonês Persicaria tinctoria e a cultura tradicional japonesa para a América Latina e registrá-la. Fui professora voluntária de costura e modelagem no Ateliê Vivo – Casa do Povo de 2015 a 2017. Desenvolvi pesquisa e direção de documentário sobre tingimento com índigo japonês subsidiada pela Secretaria da Cultura do governo do Estado de São Paulo- PROAC- edital de economia criativa 29/2017. Lecionei sobre tingimento azul em diversos ateliês na cidade de São Paulo como Flavia Aranha, Japonique e Grama. Em Vitória – Espírito Santo Ateliê Mazzei, em Florianópolis no RomZtudio, Piracicaba - São Paulo no Colar de Lina e no Uruguay na fazenda La Nube. No ano de 2019, fui palestrante do Design Week na Belas Artes e na Virada Sustentável na Japan House. No ano de 2020 fui palestrante no evento Inspiramais, a maior feira de design de materiais da América Latina. Durante o isolamento social fui colaboradora de produção de conteúdo para Japan House- SP. Lecionei por 4 anos o curso regular do Sesc Pompéia. Desde 2020, sou parceira/voluntária do Movimento sem Terra para plantio e processamento da planta índigo dentro dos assentamentos. O objetivo deste projeto é o compartilhamento do conhecimento para fins de preservação e posterior geração de renda para as famílias. No ano de 2023, fui artista convidada da Universidade do Minho em Portugal. E por fim, neste ano de 2025, lecionei sobre índigo na escola de tinturaria Correvuela no Chile. Recebo artistas em nosso sítio em Mairiporã - São Paulo para compartilhar sobre todo o processo do índigo, desde a semente, processamento até o tingimento.

Antonio Neto
Sou biólogo com bacharelado e licenciatura. Mestre em evolução e diversidade pela Universidade Federal do ABC e sou especialista em répteis e anfíbios. Durante a faculdade fui voluntário e também realizei treinamento técnico no Museu de Zoologia da USP no setor de Herpetologia. Desenvolvi projeto de Iniciação Científica no Instituto de Biociências da USP. Sou pesquisador com dez artigos científicos publicados em diversas revistas do mundo e desde 2006 realizo levantamento e monitoramento de fauna em muitos locais do Brasil, como Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica. Dessa forma, possuo ampla experiência em vivência na Natureza. Trabalho como professor de Biologia para Ensino Médio e Pós-graduação e sou estudante de Agronomia. No nosso sítio sou responsável pela criação e bem-estar dos animais e manutenção da saúde do solo para o plantio.